O coletivo de povo é ônibus.
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O coletivo de povo é ônibus.
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Nem eu acredito, mas fui eu mesma a autora da frase. No auge da minha empolgação, depois de ter exemplificado de algumas formas que não há outro jeito de se mudar o sistema senão com uma ruptura completa, depois de se distutir cotas raciais e sociais, assistencialismo, o papel das ONGs na sociedade de hoje, ajuda, caridade, solidariedade, maioria e minoria, no meio disso tudo acabei soltando a frase, bem hoje, no último dia do III Encontro de Movimentos Sociais.
Senti que causei algum espanto em quem ouviu. Fui embora daquele banco, que fiz de palanque, acreditando que havia pegado muito pesado dessa vez. E peguei a Anchieta e dirigi nos mesmo 100 km/h de todo dia, ainda mastigando as minhas próprias aspas. Porque falei de forma apaixonada, com mil argumentos, e depois, por castigo ou algo assim, a frase ficou boiando na minha cabeça.
Mas eis que, agora, abro o e-mail e bum: dou de cara com o amor. Amor, que se manisfesta de diversas formas. Nesse caso, se manisfestou em entendimento e apoio. E aí que às vezes eu fico tímida. Mas imensamente feliz. Por saber que mesmo na mais longa crise, eu consigo comunicar idéias, apaixonar pessoas por alguns assuntos, causar espanto ou susto e fazer disso algo bom e produtivo.
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Choro hoje as lágrimas que não chorei lá em 2002.
Cada vez que a época de eleição se aproxima, eu vou ficando assim. Observando diariamente os fatos mais recentes e vasculhando pela fechadura do tempo os detalhes da história da nossa formação social e política.
Até quando a gente vai continuar se fodendo esforçando pra ser vistos pelos investidores externos como “pobres mas limpinhos”, “meio pretos mas confiáveis”, “um país latino-americano fedido mas que nos gera riqueza” ? Até quando?
Que pátria doente essa, que não cansa nunca de servir e abrir as pernas.
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A saída depende sempre do lugar aonde se deseja chegar.
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Tem dia que o texto não sai. Tem dia que eu também não.
Tem dia que vejo tudo de dentro. Pra dentro. De mim e de casa.
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Vez ou outra, ele vem e te puxa pelo calcanhar.
Fica lá atrás, mas nunca tão longe a ponto de não te alcançar.
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Ventania leva pra longe do varal a roupa da gente. Não sei muito o que é vento parado. Por aqui tudo tende a ser vendaval. Prefiro o risco dos movimentos fortes do que a monotonia dos lençóis parados.
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Rosa - A Corajosa - me abandonou. Era ela quem limpava minha casa. Vinha uma vez por semana. Chegava entre 8h e 8h30 e saía só quando todas as coisas estivessem limpíssimas. Cobrava 50, mas eu dava 70. No meu aniversário foi embora só quando algumas pessoas já haviam chegado, ainda ajudou com a carne-louca e na preparação da mesa.
Do interiorzão de Minas, ela sempre começa qualquer frase com um mas num é que… Tem 3 filhos, o mais velho Ântony. Acentuado, assim mesmo. Rosa marcou minha vida. Ela foi a primeira pessoa que limpa a sujeira que eu faço na casa e eu não me sinto nem constrangida nem… constrangida.
Rosa sempre dizia mas num é que esse seu apartamento é muito maior que muita casa que eu já limpei?! E eu respondia sorrindo, adaptando o jeito de falar: E num é, Rosa?
Rosa disse que não viria mais. Problema de coluna. Que continuará trabalhando 1 vez na semana na casa de uma senhora que virou amiga, pois há muitos anos trabalha pra ela, mas é só por consideração mesmo. Outro dia ela ligou. Disse que precisava pegar as caixas do aparelho de som que eu dei e ela já havia levado. E disse que em retribuição ao presente, fazia questão de limpar mais um dia minha casa, sem cobrar nada. Falei que viesse. Veio no dia seguinte. Com os três filhos, era janeiro e estavam em férias. Deixei minha filha com ela e avisei o horário que minha mãe apareceria. Fui trabalhar. Quando voltei, nada de mãe durante o dia inteiro e a filha e a cachorra estavam quietinhas e quase tristes, cada qual no seu canto. Os meninos maiores fazendo guerra de almofada, calçados em cima do sofá e a tv beirando o último volume. Rosa cozinhando e pondo a mesa. O menino mais novo, Rauã Elias, engatinhando, entrando e saindo dos quartos com uma banana na mão. Assim que entrei, quase pedi desculpas por ter errado a casa.
Rosa cozinhou arroz, feijão, frango, purê de cenoura e preparou uma salada. Fez Tang também. Arrumou suas coisas, pegou as caixas de som e pediu baixinho com cara do Gato de Botas naquela cena do Shrek: você pode me emprestar aquele disco do Roberto Carlos? Você me desculpa, T., mas foi por ele que eu vim hoje.
O sorriso mais bonito que Rosa podia dar. É seu, Rosa, obrigada por tudo e boa sorte. Me abraçou e foi feliz da vida para o ponto de ônibus pegar o Santo Amaro com seus 3 filhos, duas caixas de som e seu Roberto Carlos preferido debaixo do braço.
Publié dans Ela | 11 Commentaires »
… faz tanto frio.
Ele viaja e eu fico perdida. E nem devia. Mas fico. Com preguiça de ir ao cinema. Pensando “pra quê café com a amiga?”, tô com saudade sim. Quero ficar aqui mesmo, eu e minhas coisinhas, como Penélope, esperando ele voltar. Vou ler e fazer tricot, enquanto ele não vem.
Ele, sabe? Ele, ó:
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Esse é o nome da lista da coluna aí do lado, que cresceu tanto com o passar do tempo e eu não comentei nenhum dos links. Não que seja necessário, mas alguns eu faço muita questão.
Recentemente me encontrei em muitos posts da Carol Escarola. Surpresa muito boa a estréia da moça no universo blogueiro. Como falei em algum comentário por aqui, ela consegue ser mais capricorniana escrevendo do que na vida vivendo. O texto é todo ótimo, de verdade. Vale a pena ler o blog inteirinho, desde o primeiro post.
Outra caprica é Claudia, minha Creusa, meu radinho de pilha, minha queridona. Ela que me socorre de crises de choro e me encontra num Fran’s Café no meio da madrugada em Santo André. Ela que me entende sempre. Reclamou dia desses que eu não comento no J’arrive. É que já dou tanto pitaco em sua vida, diariamente, que sempre que entro lá não há mais nada pra se comentar além do que já foi falado ao vivo ou no celular.
Na semana seguinte veio a Garota do Blah, que é uma menina bem grande e bonita. Conversas diárias fizeram com que um carinho inesperado surgisse, assim, sem esforço nenhum. Ela começa o blog dizendo que não garante posts diários mas que chegou pra ficar. Amém, Bibi!
Aqui no meio mesmo, pra não ter só meninas nessas indicações boas, mais um vez vou falar do Fábio. Descoberta nada nova, mas pode-se achar novidades sempre. Sr Palito é um dos poucos blogs que eu entro todos os dias pra ler. Às vezes só com sortes, às vezes com mini-contos, outras só com imagem. A forma não importa, o melhor é o que escreve.
E a novidade mais quentinha é Janaína, meu amor mais antigo, eu acho, escrevendo no blog das cartas cheias de nós (até então Briza, VanVan e eu). Ontem foi a estréia de Jana por lá e a verdade mais verdadeira continua sendo dela:
“A gente não pode silenciar mesmo, porque, dentro e fora, tudo continua gritando, esperneando, sacudindo e descascando as feridas.”
Hipocrisia é negar isso.
Ou é estar morto ou cansado ou anestesiado demais.
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Depois de uma manhã muito bem dormida, um sol amarelão de domingo entra pela fresta da janela sugerindo que se acordasse pra vida. E obedecemos, eu sem nenhum esforço, já o Hugo…
Banho, almoço em casa, conversas sobre um milhão de coisas, saudade da filha que está longe e se divertindo com a avó desde quinta. Mas bastou uma ligação pra eu colocar o sapato e dizer beijo-tchau pro palmeirense que continuou em casa e que a partir das 14h só faltou grudar com Superbonder a bunda na parte do sofá que fica bem de frente pra TV.
Arrisquei ir de carro porque de casa até o Centro gasto 10 minutos e não queria correr o risco de perder as primeiras músicas do Lobão. O tempo economizado no percurso não foi nem a metade do que foi gasto procurando estacionamento, todos lotados. Na esquina da Aurora com a República, o Rá me esperava com seus óculos escuros e camiseta do Franz Ferdinand. O show já havia começado e fomos indo indo indo indo até que chegamos num ponto no meio da multidão que dava pra ver tudo e ouvir com toda a qualidade do mundo a poesia que tanto gosto do Lobão. Aliás, acredito que o Palco Rock tenha sido o mais privilegiado no que se referia a acústica, justamente por tanto espaço aberto no local. O repertório do show foi daquela maravilha de Acústico MTV. Acabou e eu fiquei mais feliz do que já estava.
Andamos rumo ao Palco das Meninas, era o comecinho do show da Fernanda Takai e ela cantava Taí. Eu que gosto tanto dessa música vi até graça nos arranjos simples e com a mudança de ritmo que a banda deu pra versão. Só não agüentei por mais de 5 músicas (até que resisti bastante!) a eterna voz chatinha de 9 anos de idade da cantora e de lá fomos comer. Quase me arrependo de não ter fotografado o “trabalho artesanal” que um senhor japonês executava. Com roupa branca toda suja, melecada de gordura e outras coisas que eu nem imagino, o senhor mexia com uma colher de pau gigante a massa do tempurá numa espécie de balde que segurava com as pernas. Mexia o tempurá, que eu e Rá esperamos por mais de 40 minutos na fila. Mexia e conversava em japonês, mexia e ria, mexia e coçava a cabeça, mexia e. Pra quê essa moda de “visite nossa cozinha”, não é, minhagente? É só ir comer na Praça da República que nem precisa de plaquinha na porta com o convite.
Depois do tempurá-do-medo só restava mesmo a gente ouvir Ultraje a Rigor, e rir cantando aquelas músicas repletas de super conteúdos, como bun-bun-bun-dão bun-bun-bun-dão, do Roger. E consegui ver Lobão ainda no palco, só que agora tocando bateria na banda alheia. Depois disso, aconteceu mais um encontro inesperado com outros amigos, muita conversa e confidências bizarras do e com o Rá. Hugo chegou feliz e contente com o resultado do timinho dele só pra pegar nem metade do último show róque e ir pro finalzinho do Jorge Ben Jor, que cantava a inédita: “pa-ra, animar-a-festa, salve-simpatiá”. Sobrenome de Jorge devia ser Novidade.
Mas foi por aí, bem por aí mesmo, que todo entendimento caiu em cima de mim. A coisa mais legal do evento é a andança, o movimento, sacar a diferença das propostas que foram pensadas pra cada canto do Centro e caminhar admirando de perto lugares por onde é impossível transitar à noite. E digo mais, o melhor mesmo é viver tudo isso na companhia de amigos queridos e ter a surpresa de encontrar pelas ruas pessoas conhecidas que há muito tempo não se vê - isso dá uma alegria incrível, uma sensação de todo mundo da cidade no mesmo lugar, todo mundo muito acessível.
A queima de fogos aconteceu ao final do show do Jorge Ben e durou 1572368 minutos, o que mais pareceu Ano Novo do que encerramento de Virada Cultural. Enquanto todos olhavam para o céu, eu olhava pros tantos rostos que estavam perto. Todos sorrindo, alguns bêbados, mas no geral pairava uma energia muito boa. Alguns abraçados, outros sozinhos. Nos dois dias, até onde se soube, não teve nenhuma ocorrência de violência ou vandalismo. Fernanda, minha amiga de faculdade e de Virada, disse (em outro contexto, mas serve aqui também para o meu) que os shows foram as pessoas que deram, bem mais do que os próprios artistas. E é também por esse motivo que adoro esses 4 milhões de pessoas e sinto uma felicidade grande de fazer parte dessa estatística.
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É sábado e as opções são muitas. Programação na mão e alguns eventos e locais grifados. Deixo o carro na estação mais próxima de casa e vou de metrô. Duas baldeações e o gostinho do evento já aparece na quase superlotação dos vagões. Gentes de todos os tipos e de todas as idades.
No Theatro Municipal, aquela maravilha de projeto em que o artista apresenta o show inteiro tocando todas as faixas de um único disco de sua carreira, mas eu optei por não me enfiar em nenhum programa que me tomasse muito tempo ou que não me possibilitasse circular.
Chegamos na República e pegamos as duas últimas músicas do Casa das Máquinas com seus solos de guitarra de masturbação musical intermináveis. Mais tarde, no mesmo palco, ouvi Andreas Kisser tocando e alucinando a galera cabeluda. Aliás, nunca mais tinha visto tanta gente cabeluda num só evento. Moças e moços com seus cabelos armados, enrolados, pra cima, pra baixo, pros lados, com dreads, com tranças, com faixas, enfim, de cableos livres e ocupando espaços bem maiores que os lisinhos com seus cortes modernos ocupam.
Conheci uma Marina De La Riva ao vivo com seus 50% rumba e 50% bossa nova, uma delícia! Às 3h da manhã, no palco São João, me esforcei muito pra ver Mutantes, porque queria muito, mas a avenida foi tomada por uma multidão e quem estava mais atrás ouvia o som distorcido e com o eco mal dava pra reconhecer as músicas. Uma pena, era uma das minhas atrações preferidas. Mas não choraminguei tanto porque já havia me divertido muito com os amigos no baile da saudade, com o show do magnânimo Roberto Luna cantando Besame Mucho, Sabor A Mí, entre outras maravilhas. Quis ouvir algumas músicas do Zé Ramalho e lá fomos nós. Fui sem esperar grandes coisas, mas quando menos se espera, bum: a emoção vem. E veio bem com a música chata que tocou milhões de vezes, que me tirou a paciência, que todo mundo cantou, que foi tema de novela, que tocou nas rádios, enfim. Zé começou a cantar Admirável Gado Novo e estávamos bem na lateral do palco, sem conseguir ver nada, tentando caminhar no meio de muita, muita, muita gente. Era difícil ir pra frente ou voltar, então paramos. Olho pra cima e vejo, numa árvore quase seca, uns quatro homens se escorando nos galhos meio finos. Todos com cara de nordestinos, um sem camisa vestindo calça de moletom, outro com camiseta de político e boné, os outros mais ou menos assim também. Eles lá em cima e essa letra ecoando, sendo cantada pela multidão. Foi exatamente assim, parada e olhando pra cima, que me emocionei.
Celular que não parava de tocar e eu atendia só pra dizer: “manda sms porque eu sou surda”. E sou mesmo. Amigos encontrados no meio do caminho e agregados à caminhada. Isso tudo, em noite e madrugada de calor, céu lindo. No meio da andança, uma instalação aqui, uma performance no chão ali, uma intervenção indo pra lá, pessoas de circo exercitando técnicas de tecido num gigante guindaste. Preguiça até de tirar foto, tão bom só ficar vendo, experimentando, vivendo, sem ficar preocupada se o foco está acertado ou não.
Fomos para o outro lado do evento, atravessamos o Viaduto do Chá, paramos para ver “de camarote” o palco Dança que estava lá no Vale do Anhangabaú, vimos as tantas estátuas-viva que estavam no calçadão e chegamos no Largo São Francisco. A faculdade de Direito estava linda, luzes saíam dela, muita música eletrônica e um povo aceleradíssimo. Já era madrugada. Gostaria de ter visto Mau Mau tocando o puteiro numa super instalação na XV de Novembro, mas não vi. De lá, pra Quintino Bocaiúva, onde os djs da Outs tocavam. Só saímos pra comer o sanduíche mais caro e mais porco de toda história da China e voltamos. Chemical Brothers, Boys Don’t Cry, Offspring (blargh!) entre outros sons mais-do-mesmo. Apesar do medo de errar (sim, tocar as óbvias só se justifica com esse argumento) a idéia da balada ir pra rua é muito legal.
Depois do super-lanche, mais dancinhas e já amanhecia. Aquele céu lindo clareando, cadeiras ou quartos doendo, pés anestesiados. Pegamos carona e fomos embora. Chuveiro pra quê? Lavamos os pés e dormimos, estragados e felizes.
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Nenhum pote de bolinhas de Sabadilla 30CH que tomo diariamente é capaz de acabar com essa minha ansiedade. Essa aqui, e não outra, que carrego depois de ter recebido uma notícia pra lá de feliz.
Ela disse que vai voltar a escrever. No mesmo espaço em que eu e mais duas amigas queridas escrevemos. Cartas. Há meses fiz o convite e ela não respondeu, mas também era tanta coisa naquele e-mail… Dia desses ela me mandou outro dizendo que se coça inteira quando lê os posts despretensiosos que escrevo por aqui.
Ah, Jana, escreve logo. Porque desde a semana passada, quando você aceitou o convite, eu rebusquei minha pasta de partituras da época que integrava a CPC (lembra como eu adorava?), onde no último plastiquinho esteve guardada a sua última carta pra mim, linda linda, datada de novembro de 1999. Li e reli não sei quantas vezes, com um sorriso de saudade maior do mundo no rosto.
Toma um analgésico, senta e escreve, vá.
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Já faz uns dias que estou pensando seriamente em me inscrever num curso a distância chamado “Como enviar de forma segura mensagens telepáticas”.
Porque no meu autodidatismo de desenvolver a técnica, sinto que quase consegui. Só que a conexão às vezes cai, ou não sincroniza e não fica estabilizada, aí a mensagem fica presa, truncada, ou vai pela metade.
Telepatia serve quando nenhum atalho, nenhuma fresta aberta de janela, nenhuma porta de frente de casa destrancada, nenhuma música que possa ser enviada, nenhum link que esteja disponível, nenhuma letra ou número ou qualquer outro signo visível servem pra dizer que a gente sente saudade.
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Nem é tempo de se apaixonar e voilà: bem quando não tem espaço pra nenhuma paixãozinha mequetréfe, quando não quer, quando não pode, quando não cabe, é exatamente aí que cai uma paixãozona na vida da gente. E quando é paixão antiga, levemente adormecida, ela costuma voltar com a corda toda.
Tudo começou ontem no cinema. Saí da sala do Cinesesc com os olhos inchados por ter chorado durante todo o filme que se propôs a eternizar a vida de um pequeno pardal, Piaf, a pequena, torta e esquisita Edith. Um filme todo parfait, a atriz formidable, as amarrações atemporais das cenas… tudo muito emocionante. Tive vontade de cantar alto e junto as músicas durante o filme, tive vontade de não ter vergonha das minhas vizinhas e chorar alto, chorar aquele choro de boca quadrada, fazendo careta e barulhão. Porque ver a história daquela mulher incroyable retratada na telona é experiência que as pessoas não podiam perder por nada no mundo.
Hoje, ouvi desde manhãzinha Edith Piaf, Mireille Mathieu, Marlene Dietrich, Françoise Hardy, Brigitte Bardot, Vanessa Paradis e outras moças francesas cantando músicas antigas. E enquanto fazia coisas, me peguei escrevendo trechos das músicas que ouvia. Cheguei em casa com um milhão de coisas pra fazer, preparar até amanhã, até hoje, até ontem na verdade, ler, estudar, plena semana de prova, e agora, às 21h10 me vejo ilhada por Le Robert, Bescherelle e Forum 1, 2 e 3. Re-paixão é assim, não avisa quando nem como vai chegar, simplesmente chega e se instala. E aqui estou, todinha com ela, além de viciada, completamente viciada, numa música que não poderia ser mais pertinente para o momento. Louise Attaque, cantando Ton Invitation. Incrível.
C’est très bizarre, porque como diria outro Tatit, o Luiz, nem estamos em fase de paixão…
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Até na Cultura tem o caso Isabella Nardoni sendo comentado por Heródoto Barbeiro, entre um advogado sensato e uma psicóloga imbecil. Normal. Só sei que cansei do assunto, cansei da novela, que está pior que a final do Big Brother e é uma jaca atrás da outra que se fala. Dessa vez a estupidez saiu da boca da psicóloga explicando que o nome certo para essa reação do povo brasileiro não é histeria e sim comoção. Porque as pessoas se identificam com a mãe e a “tragédia” mexe com o imaginário das famílias, já que todas as de classe média têm lá suas Isabellas, suas menininhas felizes. O advogado comenta as tantas violências contra crianças que acontecem diariamente e que não aparecem nas estatísticas ou nem chegam a ser denunciadas, nas tantas periferias da cidade e do país. Mas a psicóloga continua na sua ladainha de explicar o porque do povo (no qual ela mesma se inclui) ter ficado tão sensibilizado e diz que nesse caso a imprensa não espetacularizou o fato.
…
Eu perguntaria pra ela por que a vida de uma menina da classe média que é arremessada pela janela vale mais do que a vida da que morre dentro do barraco onde mora, muitas vezes de forma ainda mais cruel. E por que será que a tal doutora não explica na tv que o fenômeno da comoção do povo pobre acontece porque a auto-estima deles é tão baixa, mas tão baixa, que faz com que se sensibilizem com o caso da menininha feliz que poderia ser personagem de uma das novelas das 8, mas não se espanta tanto quando a criancinha do morro morre assassinada? Será que não é porque já está estabelecido que é normal, previsível, assassinatos de crianças ou adultos em famílias pobres que moram na periferia ou na favela?
Olha, eu cansei. Portanto, o assunto se encerra por aqui. Se eu voltar a escrever mais uma linha sobre o assunto, garanto que será para propor alguma marcha do tipo “Isabella, vá pro inferno”.
E só pra terminar, hoje transitando por alguns blogs amigos, li um post ótimo sobre o Circo Isabella. Tem um outro post também, do mesmo autor, só que de ontem, que retrata muito bem também a palhaçada toda. Se o esgotamento não tiver chegado ainda, vale a pena ler.
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É o nome do pior filme de Hector Babenco. E mal dá pra acreditar que fiquei quase um ano com medo de ver Sofía na tela do cinema. Porque, no livro, entendi tanto seu jeito e sua essência que chorei em boa parte das páginas, entre as tantas linhas escritas por Allan Pauls. Durante a leitura, por muitas vezes doloria, Rímini me ensinou muita coisa, coisa como determinação ao se desvencilhar do que ficou para trás. Literatura gostosa, fácil, os olhos correm e o livro acaba bem rápido. Já o filme… bem, a coisa é bem diferente. No filme, Sofía é só uma louca de pedra, psicótica, que tem a idéia fixa de ter o ex de volta e mais nada, o personagem se encerra aí. E Sofía original tem tantas sutilezas, tem tanta história por trás de seu desespero rasgado. Rímini então, nem se fala. Gael García Bernal termina o filme com as mesmas expressões e energia do começo ou meio do filme. Nem mesmo os momentos de depressão e desespero são bem explorados na interpretação. Todas as cenas de sexo são horríveis. Tudo parece meio fake ou exagerado, mas sem querer ser proposital. A cena em que Vera morre, é horrorosa, muito ruim. E sem ter lido o livro, ninguém consegue decifrar quem é o homem que encontra Rímini morto-vivo e que o leva para academia, em nenhum momento se explica quem é e de onde veio. Incluir um milhão de detalhes, como o da aluna de tênis, é completamente desnecessário, uma vez que eles não mudam em nada o rumo da história nem somam características a Rímini. Desnecessária foi a vontade de contar ao pé da letra um livro de mais de 400 páginas num filme de 2 horas de duração. Fica feio, capenga, falta verdade e aprofundamento nos tipos e no interior dos personagens. Seria muito melhor se o diretor tivesse selecionado alguns trechos mais simbólicos e a partir disso desenvolvesse a amarração da história - começo, meio e fim. Talvez assim o filme fluísse.
Em suma, Babenco não foi nada feliz na adaptação do romance para a telona. Falhou, se perdeu. E eu me frustrei, não derramei nenhuma lágrima. Não me afetou, não se comunicou comigo. O filme terminou e eu continuei da mesma forma que estava antes de colocar o dvd no aparelho. Portanto, aí vai a dica: se quiser se apaixonar de verdade pela história, não perca o tempo assistindo ao filme, leia o livro.
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Não tem irmãos. Teve cachorro bonito e mãe solteira - platonicamente doente, apaixonada por um moço proibido. Ana nunca é pela metade, é intensa, quer sempre mais e convence qualquer um com sua doçura pontual. Não conheceu o pai e todos os males do mundo vão parar sempre no colo dele. Ana é gira-gira veloz, coração batendo forte, quase Janis Joplin gritada, mas é Beth Gibbons de grito pra dentro. Quando criança sonhava em ser aeromoça e hoje ama voar em balões coloridos. É moça do ar. Esperar parece ser seu verbo, preferido ou cármico, tanto faz. Ana tem 28 anos e espera um dia ser feliz alçando vôos pra lá das montanhas com seu amor, que não abre mão dos pés fincados na terra.
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Nasceu num hospital público de Santo André, era domingo. Filho de dona de casa que diz “judeia” ao conjugar judiar na terceira pessoa do singular ao invés de judia. Não era judia, a mãe. O pai, feirante. Beto cresceu assistindo ao programa da Xuxa e sonhando em, depois de grande, casar com uma das paquitas. Aos 13 começou a ajudar o pai no trabalho. Aos 16 se apaixonou pela História. Paixão por gente só aconteceu aos 23. Hoje é barbudo e vermelho, e tem desejos de matar a Xuxa e toda e qualquer paquita que lhe cruzar o caminho. Sonha encontrar sua barbuda e vermelha em qualquer boteco pé-sujo da vida, não necessariamente pra casar, mas pra dividir sua própria solidão.
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