“e é sempre só você que me entende do início ao fim…”
Eu já havia comentado com algumas amigas, em tom engraçado, a sensação de estar voltando aos meus 20 anos de idade. Porque, de fato, me sinto com uma energia muito semelhante da que tinha naquela época e me vejo acreditando nas mesmas coisas, esperançosa e vendo luz no fim do túnel. Ok, não penso exatamente como antes, muita coisa mudou, várias coisas amadureceram, larguei o radicalismo, não me privo mais de qualquer amizade muito legal só porque a pessoa come no McDonald’s (até porque hoje em dia eu mesma levo Nara, muito muito raramente, é verdade, mas levo) ou o extremo de não fazer questão de manter amigos queridos só porque votam no PSDB. Eu nunca deixei de apoiar o PT, de admirar e acreditar no MST enquanto único movimento social sério e bem estruturado no país. Mas a militância pra mim foi, nesses últimos anos, coisa que se limitou a campanhas para o PT em épocas de eleição.
O jornalismo, nessa altura da minha vida, tem me emocionado muito. O curso é triste – é muito triste estudar jornalismo com a realidade aí todos os dias sendo esfregada na nossa cara, e digo mais: a parte mais triste é que infelizmente só é triste pra quem tem algum senso crítico, o que não é o caso da grande maioria dos estudantes. Pra eles é só um curso formador de profissionais autônomos como outro qualquer.
O fato é que voltei pra as questões sociais, ou melhor, elas voltaram pra mim. Olhar pra trás, ver o que fiz nesses últimos anos e me enxergar hoje completamente voltada para as velhas questões causou, no primeiro momento, muito estranhamento. Porque eu fiquei tanto tempo anestesiada, me justificando com frases do tipo: ok, já passei por isso e, coitado, tá lá perdendo energia e tempo, quando comentava de alguém que acreditava em alguma ou qualquer mudança. Típico de quem está escorada na acomodação, quentinha e protegida pelos cantos confortáveis da classe média.
E desabafando tudo isso com Hugo, presa no trânsito da Bandeirantes esses dias, ele solta: mas não é estranho que você tenha despertado novamente pra essas questões, estranho é você ter ficado tantos anos adormecida.
E eu me emociono. Porque esse tipo de entendimento da outra pessoa sobre você é coisa das mais raras. E então penso que não podia ser outra pessoa. Pra me aturar anos vestida de umbiguista e me incentivar energicamente quando a motivação para a mudança cai no meu colo novamente e não quer sair mais.
Não precisa mexer, não precisa se esforçar pra ser entendida, não precisa de sofrimento, não há problemas de comunicação. É bom demais perceber um “nós” multifacetados e felizes por pensar e testar cada possibilidade chegando a uma escolha sem nenhuma interferência ou manipulação externa.
A conclusão que chego é que quando as questões coletivas contaminam o amor, os horizontes se ampliam. E se temos alguém pra caminhar junto, se é sabido que nunca faltará um colo pra recarregar as baterias, as coisas ficam bem mais leves. E a idéia de que a capacidade de indignação tem faixa etária é de fato uma boa desculpa para os acomodados continuarem sem nenhuma responsabilidade com o que vai além do seu próprio mundo.

Gostei muito do texto e concordo e discordo também. Acho que a indignação realmente não pode ter faixa etária, porque o comodismo é sedutor especialmente quando nos aproximamos dos trinta…Mas a maioria das formas de manifestar esta indignação são muito adolescentes e morro de rir lembrando os protestos que rolavam na faculdade!!
E acabamos encontrando uma maneira e um local para subvertermos a ordem. O meu é no próprio trabalho. É um privilégio!
Claro, Tati. Somos privilegiadas – você por insistir na educação e eu por conseguir trabalhar com arte hoje em dia.
Isso tudo não tem relação direta com a faculdade, nem sei se foi ela mesmo que deu esse start em mim. Pode ser que foi o projeto de teatro que estou envolvida. Pode ser que foi meu envolvimento com a educação. Pode ser qualquer coisa, entende? E isso pouco importa.
Beijo e vamos marcar aquela bebedeira logo. ;)
Sabe…eu ia comentar sobre o post, mas vou falar que tou com saudades, que pra mim é mais importante….