Mylton Severiano. Que Roberto Carlos que nada, pra mim Rei mesmo é Myltainho, como é carinhosamente chamado. Editor Execultivo da Caros Amigos, fez do que seria uma palestra, uma conversa pra lá de produtiva. A partir de perguntas ou comentários dos participantes inscritos, Mylton questionou a funcionalidade das escolas de jornalismo, já que se forma profissionais no formato exato para caberem na Folha, substituindo cada vez mais a experiência laboratorial pelos Manuais de Redação. Diz que a exigência de diploma para exercer a profissão é uma herança que ganhamos da ditadura, portanto é contra e diz que as pessoas que querem ser jornalistas deveriam se matricular em cursos como sociologia, antropologia, filosofia, história. E mais: que jornalismo não se aprende, que jornalismo é profissão vocacional – ou a pessoa tem ou não tem vocação, citando um ditado nordestino “o que tem de ser vem com muita força”. Falou do terrorismo midiático, da imprensa gorda, exemplificou, questionou, colocou de forma brilhante o assunto pra render. Disse que deveria haver alguma espécie de conselho julgador formado por jornalistas para controlar os abusos das mídias. Sobre o rádio, concluiu que no geral a qualidade que se tem é péssima e que só contribui para a imbecilização do povo. Mas que por outro lado, vê com esperança a insistência das rádios comunitárias (não-legalizadas) em se manterem no ar, cometendo o que é chamado de “desobediência civil” como ato de resistência.
Myton termina dizendo que o anticurso é uma vacina. E eu concordo, muito.
Tem coisas que me emocionam de verdade, como por exemplo, ver de perto um senhor beirando os 70 anos de idade tão lúcido e claro em seus argumentos.
Marcos Zibordi. 1. É possível ensinar redação? 2. Dissertação. 3. Narração X Descrição. Partindo desses três tópicos ele sugere a quebra dos paradigmas de formas, estruturas e obrigatoriedade da repetição dos mesmos modelos fechados como caminho único para o argumento. Questiona a funcionalidade e consequência de se adotar como verdade absoluta o lead que se tem hoje em dia. Propõe que em alguns casos ao invés da pirâmide invertida, se desconstrua o lead para usar um tipo de estratégia de suspense, prendendo assim o leitor até o fim do texto. Sugere ainda que a as referências para a construção do texto possam surgir a partir da literatura e não de modelos prontos com base em outros textos jornalísticos. Propõe o haikai, propõe textos narrativos de Machado de Assis. Propõe a expressão, que não se ensina e que existe não por estar dentro de uma forma, mas porque simplesmente tem necessidade urgente de existir.
O moço é bastante polêmico – foi ele o autor da matéria “Paisagem mental dos estudantes de jornalismo”, publicada há quase 1 ano na Caros Amigos, mas declama Leminski: “ópios, édens, analgésicos/não me toquem nessa dor/ ela é tudo o que me sobra, sofrer vai ser a minha última obra”. Propõe que se viva feliz e que se pague as contas, mas que seja mantida sempre alguma espécie de dor.
