Palhaçada
18 avril 2008 par Tatit
Até na Cultura tem o caso Isabella Nardoni sendo comentado por Heródoto Barbeiro, entre um advogado sensato e uma psicóloga imbecil. Normal. Só sei que cansei do assunto, cansei da novela, que está pior que a final do Big Brother e é uma jaca atrás da outra que se fala. Dessa vez a estupidez saiu da boca da psicóloga explicando que o nome certo para essa reação do povo brasileiro não é histeria e sim comoção. Porque as pessoas se identificam com a mãe e a “tragédia” mexe com o imaginário das famílias, já que todas as de classe média têm lá suas Isabellas, suas menininhas felizes. O advogado comenta as tantas violências contra crianças que acontecem diariamente e que não aparecem nas estatísticas ou nem chegam a ser denunciadas, nas tantas periferias da cidade e do país. Mas a psicóloga continua na sua ladainha de explicar o porque do povo (no qual ela mesma se inclui) ter ficado tão sensibilizado e diz que nesse caso a imprensa não espetacularizou o fato.
…
Eu perguntaria pra ela por que a vida de uma menina da classe média que é arremessada pela janela vale mais do que a vida da que morre dentro do barraco onde mora, muitas vezes de forma ainda mais cruel. E por que será que a tal doutora não explica na tv que o fenômeno da comoção do povo pobre acontece porque a auto-estima deles é tão baixa, mas tão baixa, que faz com que se sensibilizem com o caso da menininha feliz que poderia ser personagem de uma das novelas das 8, mas não se espanta tanto quando a criancinha do morro morre assassinada? Será que não é porque já está estabelecido que é normal, previsível, assassinatos de crianças ou adultos em famílias pobres que moram na periferia ou na favela?
Olha, eu cansei. Portanto, o assunto se encerra por aqui. Se eu voltar a escrever mais uma linha sobre o assunto, garanto que será para propor alguma marcha do tipo “Isabella, vá pro inferno”.
E só pra terminar, hoje transitando por alguns blogs amigos, li um post ótimo sobre o Circo Isabella. Tem um outro post também, do mesmo autor, só que de ontem, que retrata muito bem também a palhaçada toda. Se o esgotamento não tiver chegado ainda, vale a pena ler.

Ora, obrigado pelo elogio, embora envolto neste tema pra lá de pentelho.
Hoje no jornal passou os repórteres indo atrás dos avós da menina…
Me pergunto: o que catso falar com os avós vai adicionar ao caso? é só o fator comoção…
sobre o problema de auto-estima de uma classe mais pobre, concordo. É igual às pessoas que se comovem com o drama familiar de uma família do Leblon descrita pelo Manoel Carlos.
Enquanto isso, até mesmo da própria casa, um marido bate na mulher, um tio sacaneia um sobrinho a noite, um filho morre baleado por traficantes.
pois é…li os textos (o seu e os indicados) para a mamãe, na sala. achei bom mostrar pra ela outras conversas sobre o acontecido. ela tem estado comovida em frente à TV. claro, ela me olhou torto ¬¬ e eu disse: mamãe, porque toda essa gente que deseja ser Deus não vai gritar na porta da mulher que torturou a menina?!
são muitas questões. muitas. mas o tempo de duração da minha novela preferida diminuiu só pra dar maior espaço ao caso. =/
fiquei pasma. e tenho medo. muito medo.
Espetáculos, o povo precisa. Cada um tem o mártir e o Judas que merece. Na verdade, os que a imprensa cria. E, no meio disso tudo, o médico esquertejador Farah vai pegar só 13 anos. E isso não causa comoção, histeria ou seja lá o quê em ninguém. Lógico, tds estão muito ocupados rezando pela Isabella.
ah, mas não é comoção mesmo… o que menos importa nesta história é a morte da menina. eu acho q é desilusão ou inconformismo. se tivessem descoberto que o assassino era um ladrão, de preferencia pobre e negro (talvez o pedreiro) tudo estaria justificado, e aí td bem, seria um alívio, ufa, todo mundo se conformava. o q ninguém engole é o fato de não conseguir justificar. qdo é pobre, é pq o pai é um bebado, ignorante, teve vida dificil: o crime é inerente. qdo a richtofen matou os pais foi pela herança, a torturadora tinha histórico, era louca, entre tantos outros loucos, ciumentos e invejosos por aí. todo crime tem q ter um porquê pra ser engulido e pra ser entendido como exceção, mesmo se o motivo for inventado. Concordo tb c esse lance da auto-estima, tá dificil para essas pessoas encarar a realidade de que a classe média ou alta não é um conto de fadas, que familia redondinha, estruturada, branca, honesta, feliz e de plena sanidade mental também tem seus ódios e suas mazelas. E tb é pq estamos no brasil, todo mundo aqui adora uma novela. Chega né? Cansei tb, ainda mais q escrevi td isso c uma mao só, hehe
É mais triste ver uma criança morrer de fome..
Quando o assassino é todo um contexto. Todo um descaso..
Mas enfim, cansei.