Dos 4 milhões de pessoas - Parte 1
28 avril 2008 par Tatit
É sábado e as opções são muitas. Programação na mão e alguns eventos e locais grifados. Deixo o carro na estação mais próxima de casa e vou de metrô. Duas baldeações e o gostinho do evento já aparece na quase superlotação dos vagões. Gentes de todos os tipos e de todas as idades.
No Theatro Municipal, aquela maravilha de projeto em que o artista apresenta o show inteiro tocando todas as faixas de um único disco de sua carreira, mas eu optei por não me enfiar em nenhum programa que me tomasse muito tempo ou que não me possibilitasse circular.
Chegamos na República e pegamos as duas últimas músicas do Casa das Máquinas com seus solos de guitarra de masturbação musical intermináveis. Mais tarde, no mesmo palco, ouvi Andreas Kisser tocando e alucinando a galera cabeluda. Aliás, nunca mais tinha visto tanta gente cabeluda num só evento. Moças e moços com seus cabelos armados, enrolados, pra cima, pra baixo, pros lados, com dreads, com tranças, com faixas, enfim, de cableos livres e ocupando espaços bem maiores que os lisinhos com seus cortes modernos ocupam.
Conheci uma Marina De La Riva ao vivo com seus 50% rumba e 50% bossa nova, uma delícia! Às 3h da manhã, no palco São João, me esforcei muito pra ver Mutantes, porque queria muito, mas a avenida foi tomada por uma multidão e quem estava mais atrás ouvia o som distorcido e com o eco mal dava pra reconhecer as músicas. Uma pena, era uma das minhas atrações preferidas. Mas não choraminguei tanto porque já havia me divertido muito com os amigos no baile da saudade, com o show do magnânimo Roberto Luna cantando Besame Mucho, Sabor A Mí, entre outras maravilhas. Quis ouvir algumas músicas do Zé Ramalho e lá fomos nós. Fui sem esperar grandes coisas, mas quando menos se espera, bum: a emoção vem. E veio bem com a música chata que tocou milhões de vezes, que me tirou a paciência, que todo mundo cantou, que foi tema de novela, que tocou nas rádios, enfim. Zé começou a cantar Admirável Gado Novo e estávamos bem na lateral do palco, sem conseguir ver nada, tentando caminhar no meio de muita, muita, muita gente. Era difícil ir pra frente ou voltar, então paramos. Olho pra cima e vejo, numa árvore quase seca, uns quatro homens se escorando nos galhos meio finos. Todos com cara de nordestinos, um sem camisa vestindo calça de moletom, outro com camiseta de político e boné, os outros mais ou menos assim também. Eles lá em cima e essa letra ecoando, sendo cantada pela multidão. Foi exatamente assim, parada e olhando pra cima, que me emocionei.
Celular que não parava de tocar e eu atendia só pra dizer: “manda sms porque eu sou surda”. E sou mesmo. Amigos encontrados no meio do caminho e agregados à caminhada. Isso tudo, em noite e madrugada de calor, céu lindo. No meio da andança, uma instalação aqui, uma performance no chão ali, uma intervenção indo pra lá, pessoas de circo exercitando técnicas de tecido num gigante guindaste. Preguiça até de tirar foto, tão bom só ficar vendo, experimentando, vivendo, sem ficar preocupada se o foco está acertado ou não.
Fomos para o outro lado do evento, atravessamos o Viaduto do Chá, paramos para ver “de camarote” o palco Dança que estava lá no Vale do Anhangabaú, vimos as tantas estátuas-viva que estavam no calçadão e chegamos no Largo São Francisco. A faculdade de Direito estava linda, luzes saíam dela, muita música eletrônica e um povo aceleradíssimo. Já era madrugada. Gostaria de ter visto Mau Mau tocando o puteiro numa super instalação na XV de Novembro, mas não vi. De lá, pra Quintino Bocaiúva, onde os djs da Outs tocavam. Só saímos pra comer o sanduíche mais caro e mais porco de toda história da China e voltamos. Chemical Brothers, Boys Don’t Cry, Offspring (blargh!) entre outros sons mais-do-mesmo. Apesar do medo de errar (sim, tocar as óbvias só se justifica com esse argumento) a idéia da balada ir pra rua é muito legal.
Depois do super-lanche, mais dancinhas e já amanhecia. Aquele céu lindo clareando, cadeiras ou quartos doendo, pés anestesiados. Pegamos carona e fomos embora. Chuveiro pra quê? Lavamos os pés e dormimos, estragados e felizes.
2 Réponses vers «Dos 4 milhões de pessoas - Parte 1»

Hoje acordei em Sampa.
Tanto amor por você!
E eu chorei sorrindo quando vi de madrugada seu sms enviado pela web.
Pega email e corre lá pra se juntar com os “nós” das cartas, vá. Que eu tô doida pra te ler de novo. :)
Todo meu amor pra você.