Dos 4 milhões de pessoas - Parte 2
29 avril 2008 par Tatit
Depois de uma manhã muito bem dormida, um sol amarelão de domingo entra pela fresta da janela sugerindo que se acordasse pra vida. E obedecemos, eu sem nenhum esforço, já o Hugo…
Banho, almoço em casa, conversas sobre um milhão de coisas, saudade da filha que está longe e se divertindo com a avó desde quinta. Mas bastou uma ligação pra eu colocar o sapato e dizer beijo-tchau pro palmeirense que continuou em casa e que a partir das 14h só faltou grudar com Superbonder a bunda na parte do sofá que fica bem de frente pra TV.
Arrisquei ir de carro porque de casa até o Centro gasto 10 minutos e não queria correr o risco de perder as primeiras músicas do Lobão. O tempo economizado no percurso não foi nem a metade do que foi gasto procurando estacionamento, todos lotados. Na esquina da Aurora com a República, o Rá me esperava com seus óculos escuros e camiseta do Franz Ferdinand. O show já havia começado e fomos indo indo indo indo até que chegamos num ponto no meio da multidão que dava pra ver tudo e ouvir com toda a qualidade do mundo a poesia que tanto gosto do Lobão. Aliás, acredito que o Palco Rock tenha sido o mais privilegiado no que se referia a acústica, justamente por tanto espaço aberto no local. O repertório do show foi daquela maravilha de Acústico MTV. Acabou e eu fiquei mais feliz do que já estava.
Andamos rumo ao Palco das Meninas, era o comecinho do show da Fernanda Takai e ela cantava Taí. Eu que gosto tanto dessa música vi até graça nos arranjos simples e com a mudança de ritmo que a banda deu pra versão. Só não agüentei por mais de 5 músicas (até que resisti bastante!) a eterna voz chatinha de 9 anos de idade da cantora e de lá fomos comer. Quase me arrependo de não ter fotografado o “trabalho artesanal” que um senhor japonês executava. Com roupa branca toda suja, melecada de gordura e outras coisas que eu nem imagino, o senhor mexia com uma colher de pau gigante a massa do tempurá numa espécie de balde que segurava com as pernas. Mexia o tempurá, que eu e Rá esperamos por mais de 40 minutos na fila. Mexia e conversava em japonês, mexia e ria, mexia e coçava a cabeça, mexia e. Pra quê essa moda de “visite nossa cozinha”, não é, minhagente? É só ir comer na Praça da República que nem precisa de plaquinha na porta com o convite.
Depois do tempurá-do-medo só restava mesmo a gente ouvir Ultraje a Rigor, e rir cantando aquelas músicas repletas de super conteúdos, como bun-bun-bun-dão bun-bun-bun-dão, do Roger. E consegui ver Lobão ainda no palco, só que agora tocando bateria na banda alheia. Depois disso, aconteceu mais um encontro inesperado com outros amigos, muita conversa e confidências bizarras do e com o Rá. Hugo chegou feliz e contente com o resultado do timinho dele só pra pegar nem metade do último show róque e ir pro finalzinho do Jorge Ben Jor, que cantava a inédita: “pa-ra, animar-a-festa, salve-simpatiá”. Sobrenome de Jorge devia ser Novidade.
Mas foi por aí, bem por aí mesmo, que todo entendimento caiu em cima de mim. A coisa mais legal do evento é a andança, o movimento, sacar a diferença das propostas que foram pensadas pra cada canto do Centro e caminhar admirando de perto lugares por onde é impossível transitar à noite. E digo mais, o melhor mesmo é viver tudo isso na companhia de amigos queridos e ter a surpresa de encontrar pelas ruas pessoas conhecidas que há muito tempo não se vê - isso dá uma alegria incrível, uma sensação de todo mundo da cidade no mesmo lugar, todo mundo muito acessível.
A queima de fogos aconteceu ao final do show do Jorge Ben e durou 1572368 minutos, o que mais pareceu Ano Novo do que encerramento de Virada Cultural. Enquanto todos olhavam para o céu, eu olhava pros tantos rostos que estavam perto. Todos sorrindo, alguns bêbados, mas no geral pairava uma energia muito boa. Alguns abraçados, outros sozinhos. Nos dois dias, até onde se soube, não teve nenhuma ocorrência de violência ou vandalismo. Fernanda, minha amiga de faculdade e de Virada, disse (em outro contexto, mas serve aqui também para o meu) que os shows foram as pessoas que deram, bem mais do que os próprios artistas. E é também por esse motivo que adoro esses 4 milhões de pessoas e sinto uma felicidade grande de fazer parte dessa estatística.

Lembrei que esta “virada cultural” muito se parece com a festa da música que tem todo verão lá em Paris… ;)
mas o projeto foi baseado exatamente no evento Nuit Blanche que acontece em Paris anualmente.
cê devia ter ído se divertir com a gente, bruacona.
Olha…preciso confessar que me deu uma baita dor de cotovelo… :(