Os Detalhes de Rosa
6 mai 2008 par Tatit
Rosa - A Corajosa - me abandonou. Era ela quem limpava minha casa. Vinha uma vez por semana. Chegava entre 8h e 8h30 e saía só quando todas as coisas estivessem limpíssimas. Cobrava 50, mas eu dava 70. No meu aniversário foi embora só quando algumas pessoas já haviam chegado, ainda ajudou com a carne-louca e na preparação da mesa.
Do interiorzão de Minas, ela sempre começa qualquer frase com um mas num é que… Tem 3 filhos, o mais velho Ântony. Acentuado, assim mesmo. Rosa marcou minha vida. Ela foi a primeira pessoa que limpa a sujeira que eu faço na casa e eu não me sinto nem constrangida nem… constrangida.
Rosa sempre dizia mas num é que esse seu apartamento é muito maior que muita casa que eu já limpei?! E eu respondia sorrindo, adaptando o jeito de falar: E num é, Rosa?
Rosa disse que não viria mais. Problema de coluna. Que continuará trabalhando 1 vez na semana na casa de uma senhora que virou amiga, pois há muitos anos trabalha pra ela, mas é só por consideração mesmo. Outro dia ela ligou. Disse que precisava pegar as caixas do aparelho de som que eu dei e ela já havia levado. E disse que em retribuição ao presente, fazia questão de limpar mais um dia minha casa, sem cobrar nada. Falei que viesse. Veio no dia seguinte. Com os três filhos, era janeiro e estavam em férias. Deixei minha filha com ela e avisei o horário que minha mãe apareceria. Fui trabalhar. Quando voltei, nada de mãe durante o dia inteiro e a filha e a cachorra estavam quietinhas e quase tristes, cada qual no seu canto. Os meninos maiores fazendo guerra de almofada, calçados em cima do sofá e a tv beirando o último volume. Rosa cozinhando e pondo a mesa. O menino mais novo, Rauã Elias, engatinhando, entrando e saindo dos quartos com uma banana na mão. Assim que entrei, quase pedi desculpas por ter errado a casa.
Rosa cozinhou arroz, feijão, frango, purê de cenoura e preparou uma salada. Fez Tang também. Arrumou suas coisas, pegou as caixas de som e pediu baixinho com cara do Gato de Botas naquela cena do Shrek: você pode me emprestar aquele disco do Roberto Carlos? Você me desculpa, T., mas foi por ele que eu vim hoje.
O sorriso mais bonito que Rosa podia dar. É seu, Rosa, obrigada por tudo e boa sorte. Me abraçou e foi feliz da vida para o ponto de ônibus pegar o Santo Amaro com seus 3 filhos, duas caixas de som e seu Roberto Carlos preferido debaixo do braço.

Que LINDO esse texto, moça. Que bonito, e que gostoso…
Consegue dar saudade da Rosa que a gente não conhece.
Um beijo.
huummm… essa comida me deixou salivando ;]
Ôôôôô, também senti saudade de Rosa. Mas que apareça outra - pelo menos parecida - pra cuidar da sua casa.
Minha casa é uma zona. Preciso arrumar um vinil do Roberto e uma empregada.
:~]
[igor, me dá um vinil do roberto e uma vitrola laranja que eu arrumo a sua casa, rs]
queria que Rosa fosse minha. queria a saudades de Rosa. linda homenagem moça ;)
Você escreve muito bem, Tatit. Seus textos foram uma grande e gostosa descoberta. Beijo.
ah, Tati, de novo, lagriminha! Não volto mais aqui.
como é que eu apago o anterior… errei…
adorei esse texto Tatit…
lindo, lindo.
Ah mas vc vai ficar se achando com esses comentários todos. Sua insuportável!
Tá ótimo o texto, Tatit. Mesmo.. uma delicinha para os olhos.