“Eu faço jornalismo porque não tenho coragem de pegar em armas”
16 mai 2008 par Tatit
Nem eu acredito, mas fui eu mesma a autora da frase. No auge da minha empolgação, depois de ter exemplificado de algumas formas que não há outro jeito de se mudar o sistema senão com uma ruptura completa, depois de se distutir cotas raciais e sociais, assistencialismo, o papel das ONGs na sociedade de hoje, ajuda, caridade, solidariedade, maioria e minoria, no meio disso tudo acabei soltando a frase, bem hoje, no último dia do III Encontro de Movimentos Sociais.
Senti que causei algum espanto em quem ouviu. Fui embora daquele banco, que fiz de palanque, acreditando que havia pegado muito pesado dessa vez. E peguei a Anchieta e dirigi nos mesmo 100 km/h de todo dia, ainda mastigando as minhas próprias aspas. Porque falei de forma apaixonada, com mil argumentos, e depois, por castigo ou algo assim, a frase ficou boiando na minha cabeça.
Mas eis que, agora, abro o e-mail e bum: dou de cara com o amor. Amor, que se manisfesta de diversas formas. Nesse caso, se manisfestou em entendimento e apoio. E aí que às vezes eu fico tímida. Mas imensamente feliz. Por saber que mesmo na mais longa crise, eu consigo comunicar idéias, apaixonar pessoas por alguns assuntos, causar espanto ou susto e fazer disso algo bom e produtivo.

Eu também fico timida!
Se tivesse neste encontro, eu puxaria palmas! Mas engraçado, não pelo jornalismo… sim por não ter coragem de pegar em armas. Pra mim existe uma crítica nisso que é profunda, ainda que não esteja na cara e que não possua o mesmo impacto da frase (fiquei imaginando tu dizendo a frase, misturando no rosto uma pitada de raiva, outra de valentia, ou outras tantas coisas). Que beleza esse negócio da gente ser o que é!