O que mais dois são-paulinos juntos podem fazer senão alguma coisa muito boa? Além de bom futebol (até na Copa Juniores o time só dá alegria), uma publicação impressa de altíssima qualidade chamada Brasileiros. A revista que hoje está em sua 18ª edição nasceu da ideia incial do fotógrafo e jornalista Hélio Campos Mello, que na sequência chamou um dos meus ídolos máximos do jornalismo, Ricardo Kotcho. O projeto surgiu em 2006, quando os dois trabalharam em parceria em grandes reportagens feitas para O Globo (Kotcho escrevia e Hélio fazia as fotos), mas a primeira edição só foi às bancas em julho de 2007.
Não é gratuita a comparação da revista com a melhor publicação brasileira mensal de todos os tempos – a revista Realidade, que circulou entre 1966 e 1976. Para quem não conhece esta, vale a pena ler um breve e bom resumo feito com base no trabalho acadêmico de um dos melhores professores de história do Brasil, o grandioso e queridíssimo Faro. Apesar de ter nascido numa época muito mais calma, sem ditadura ou repressão (senão as da própria imprensa), Brasileiros retoma a estética da defunta Realidade e conta com colaboradores diversos produzindo textos deliciosos de serem lidos, os quais sempre ganham fotos belíssimas de enfeite.
Kotcho, no Encontro de Jornalistas da Metodista do ano passado, disse que a revista é uma espécie de homenagem ao Brasil e aos brasileiros. E é mesmo, durante a leitura vamos nos apaixonando pelo o que somos, mesmo que o que está relatado nas reportagens não faça parte do nosso dia-a-dia. A revista desperta (ou aumenta) o imenso prazer de ler histórias contadas a partir de seus personagens. Histórias tristes em forma de denúncia ou histórias felizes sobre algum evento cultural, podemos encontrar em todas as páginas um Brasil que emociona, não importando muito qual é a pauta.
Já fui criticada por defini-la como a melhor revista de reportagem que pode se encontrar por aí. Defendo minha opinião não porque ache a Caros Amigos ou a Piauí de pior qualidade. Em realação a esta última, é verdade que não tenho muita paciência para a estética supermoderna e para a dita proposta livre de padrões que ela sugere. Quanto a Caros, ela se mantem limitada demais a um público letrado e exige dele alguma (estou sendo generosa!) formação política. Adoro a revista, desde as primeiras edições, lá em 1997, mas essa inviabilidade me deixa sempre com um ar de lamentação. Já a Brasileiros é dinâmica, acessível – costumo usar um termômetro ótimo para medir a acessibilidade das mídias impressas: minha mãe, que passa a vida inteira na frente da tv e sente sono com a leitura. Pois bem, minha mãe lê Brasileiros e, além de não dormir, gosta e ainda comenta as matérias.
Havia comprado algumas edições e, em novembro quando assinei a revista, ganhei todas as que faltavam na minha estante. Há uns dias, embrulhada em plástico grosso e escuro, chegou em casa a primeira de muitas que ainda me esperarão na caixinha do correio do prédio em que moro.
Para quem quiser conhecer sem pagar os 7,90 que a revista vale, o site é uma ótima opção.

desculpe a demora na resposta: fiquei encantado e sensibilizado com o post. Obrigado.Abraços são paulinos e, principalmente, brasileiros
Hélio Campos Mello