Todos os dias que depois vieram, eram tempo de doer. Miguilim tinha sido arrancado de uma porção de coisas, e estava no mesmo lugar. Quando chegava o poder de chorar, era até bom – enquanto estava chorando, parecia que a alma toda se sacudia, misturando ao vivo todas as lembranças, as mais novas e as muito antigas. Mas, no mais das horas, ele estava cansado. Cansado e como que assustado. Sufocado. Ele não era ele mesmo. Diante dele, as pessoas, as coisas, perdiam o peso de ser. Os lugares, o Mutúm – se esvaziavam, numa ligeireza, vagarosos. E Miguilim mesmo se achava diferente de todos. Ao vago, dava a mesma ideia de uma vez, em que, muito pequeno, tinha dormido de dia, fora de seu costume – quando acordou, sentiu o existir do mundo em hora estranha, e perguntou assustado: Uai, mãe, hoje já é amanhã?!
Escorregadio, de estranhamento, todo imprevisível. O meu tempo hoje é muito parecido com o das páginas de Guimarães Rosa. E a releitura me conforta.
bu!
cadê Tatit, cadê?
Eita! vou dizer que do lado d’aqui tb, viu…
e esse reecontro acá com o Guimarães… único acerto possível, das horas
Gostei muito do texto e me lembrou a infância. Meus sentidos ficavam tão em alerta quando ia mais tarde pra cama. Me sentia fazendo parte do mundo dos adultos! rs